A cidade mais italiana de SC se prepara para receber 150 mil pessoas em junho
Itália

A cidade mais italiana de SC se prepara para receber 150 mil pessoas em junho

Vinícius GamaVinícius Gama
8 de junho de 20264 min de leitura

Entre os dias 18 e 21 de junho, Nova Veneza (no Sul de Santa Catarina) vai receber 150.000 pessoas para a 20ª Festa da Gastronomia Típica Italiana. As bandeiras com as cores do município e da Itália já estão sendo instaladas na Praça Humberto Bortoluzzi, na Rua dos Imigrantes e em mais de meia dúzia de pontos espalhados pela cidade. Não é apenas decoração. É memória tomando forma.

Esta edição tem um peso diferente das anteriores. Nova Veneza completa 135 anos de imigração italiana em 2026, e a festa, pela primeira vez em duas décadas, carrega esse número junto ao nome. Uma cidade que existe porque famílias saíram do Vêneto, da Lombardia e do Trentino com malas e documentos, cruzaram o Atlântico e plantaram raízes num vale de Santa Catarina que nem nome tinha ainda.

Uma cidade que é, ela mesma, uma certidão de nascimento

Uma cidade que é, ela mesma, uma certidão de nascimento

Reconhecida como a cidade mais italiana de Santa Catarina, Nova Veneza não precisa de argumentos para provar sua herança. A arquitetura fala. Os sobrenomes falam. A gastronomia, os dialetos que ainda sobrevivem nas casas mais antigas, os distritos batizados de Caravaggio e São Bento Baixo, tudo é evidência viva de uma migração que não apagou o que trouxe consigo.

A prefeita Ângela Ghislandi resumiu bem o que representa este ano: uma edição histórica, que projeta visitantes de toda Santa Catarina e de estados vizinhos, planejada para ser uma experiência que vai além da gastronomia e dos shows.

É nesse ponto que a festa e o direito à cidadania italiana se encontram. Porque os bisnetos e trinetos das famílias que fundaram Nova Veneza, que vão encher o pavilhão, que vão comer polenta e beber vinho, que vão tirar foto na Rua Coberta decorada com bandeiras italianas, muitos deles têm um direito que ainda não formalizaram. Um direito que a Corte de Cassação da Itália reafirmou em maio deste ano, por escrito e com número de sentença: a cidadania italiana por descendência é imprescritível.

"Serão colocadas bandeiras com as cores do município e da Itália, máscaras e elementos que remetem aos nossos antepassados." — Izabelle Amboni Destro, secretária de Cultura, Esporte e Turismo de Nova Veneza.
Cidadania Italiana

135 anos de história que o papel ainda não registrou

A imigração italiana para o Sul do Brasil começou no final do século XIX. As famílias que chegaram trouxeram consigo a cidadania italiana e, pelo princípio do jus sanguinis, transmitiram esse vínculo jurídico de geração em geração, independentemente do tempo que passou ou do país em que os descendentes nasceram.

A festa celebra essa herança de forma simbólica e cultural. Mas a herança tem também uma dimensão legal que muitas famílias ainda não acessaram e que não exige nada além do que já existe: a árvore genealógica e os documentos que comprovam a linha de descendência.

Quem tem um bisavô italiano que chegou ao Brasil antes de 1992 sem naturalização que interrompesse a transmissão da cidadania tem, hoje, um caminho real e reconhecido pela Justiça italiana para formalizar esse vínculo. O passaporte italiano não é um benefício para quem tem sorte. É um direito para quem tem prova.

Em maio de 2026, a Corte de Cassação italiana publicou a Sentença 13818/2026 reafirmando que a cidadania por descendência é um direito subjetivo absoluto de relevância constitucional, nascido com o titular, sem prazo de vencimento. Filas no consulado ou ausência de agendamento não extinguem esse direito. Pelo contrário: são fundamento legal para acionar a via judicial diretamente.

O que Nova Veneza representa para quem ainda não iniciou o processo

Há algo que acontece quando uma pessoa caminha pela Rua dos Imigrantes numa festa como essa. O sobrenome estampado na fachada da casa da família, o dialeto que o avô usava em casa, a receita que veio na mala junto com as certidões, tudo isso deixa de ser nostalgia e passa a ser reconhecimento. Reconhecimento de que essa história pertence a alguém de forma concreta, não apenas afetiva.

É nesse momento que muitas famílias nos procuram. Não porque viram um anúncio. Mas porque sentiram, de forma física e presente, que a identidade italiana não é apenas herança cultural, é herança jurídica. E que essa herança pode ser formalizada.

Se você vai a Nova Veneza em junho, ou se tem parentes que vão, leve essa conversa para a mesa. Pergunte o nome do bisavô. Pergunte de qual cidade italiana ele veio. Pergunte se alguém já olhou para esses documentos com olhos jurídicos.

A resposta pode mudar o que a próxima geração da sua família vai poder fazer no mundo.

Pátria Cidadania é especialista em processos de cidadania italiana para brasileiros descendentes. Avaliamos o seu caso e orientamos sobre a melhor rota de acordo com o cenário jurídico atual. Cidadania Italiana

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